Lei que não sai do papel não transforma realidades
A Lei Municipal 1.657/2025 instituiu o Dia Municipal de Prevenção ao Uso de Drogas. Para Delmah Pedra, seu significado vai muito além da simbologia:
“Lei que não sai do papel não transforma realidades.”
Com três décadas de atuação social e à frente do Instituto Nova Vida, a parlamentar estabeleceu desde a abertura da sessão que a eficácia de uma norma se mede pela capacidade de intervenção direta na vida das famílias e jovens vulneráveis.
Segundo Delmah Pedra, prevenir não é um discurso: é ocupar território — geográfico e psicológico — antes que a droga o faça.
“Queremos que nossos jovens, em vez de segurarem uma pedra de crack, segurem uma oportunidade. O Estado, a família e a escola precisam chegar antes da droga.”
Essa abordagem da “chegada antecipada” traduz a prática do acolhimento: o jovem que chega ao acolhimento frequentemente já foi abandonado pelo sistema. A vereadora propõe uma inversão da lógica tradicional: intervenção preventiva, infraestrutura social, cultura, esporte e educação como barreiras reais contra a vulnerabilidade.
O retrato da demanda: números que confirmam a urgência
A subsecretária de Saúde, Érica Lacerda, trouxe à sessão um panorama da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Barreiras, evidenciando a necessidade de políticas integradas que considerem saúde, alimentação e transporte como partes inseparáveis do cuidado:

Para Delmah Pedra, esses dados refletem uma população antes invisível. Cada atendimento individual, cada internação, cada ocorrência do SAMU representa uma família em sofrimento, que só chegou à rede porque a prevenção primária falhou.
“A política intersetorial não é luxo, é sobrevivência do sistema de saúde. Prevenção universal, seletiva e indicada precisa atuar simultaneamente.”
Orçamento: a chave para transformar lei em ação
A representante do Conselho Estadual de Políticas sobre Drogas, Lindinalva de Paula, reforçou que lei sem orçamento é ficção. Para Delmah Pedra, aprovar a norma é apenas o começo: o desafio real é garantir recursos para equipes multidisciplinares, leitos, campanhas educativas e atendimento contínuo.
O mapeamento das substâncias que mais impactam a saúde mental na Bahia mostra um paradoxo:

Delmah Pedra destaca que o álcool, embora legal e socialmente aceito, é a substância que mais sobrecarrega o sistema e contribui para violência doméstica e feminicídios, enquanto drogas ilícitas, foco de campanhas e repressão, representam parcela mínima dos casos clínicos.
“A política de prevenção precisa ser honesta: atacar o que realmente adoecer a população, e não apenas o que é mais midiático.”
O testemunho humano que dá sentido aos números
O depoimento de Dilma Santos Silva, mãe de um acolhido do Instituto Nova Vida, mostrou o impacto concreto da dependência química:
“A família sozinha não consegue. Quem souber e puder, que apoie a Casa Nova Vida.”
Para Delmah Pedra, cada história como a de Rian Henrique evidencia que acolhimento estruturado e prevenção contínua salvam vidas. E que, sem intervenção precoce, dezenas de jovens permanecem invisíveis aos olhos do Estado.
Neurobiologia da dependência: desconstruindo o moralismo
O psicólogo Antônio Marcos trouxe uma perspectiva científica, mostrando que a dependência química não é desvio moral, mas um sequestro neurobiológico das funções de sobrevivência.
Os pilares da prevenção defendidos por Delmah Pedra, com base na ciência, incluem:
- Família como porto seguro, com estabilidade emocional
- Informação qualificada e baseada em evidências
- Desenvolvimento rigoroso de habilidades socioemocionais, incluindo resiliência frente à hiperestimulação digital
Para Delmah Pedra, a prática do Instituto Nova Vida valida isso: acolhimento não é só abrigo, mas reconstrução de vínculos e propósito de vida, através de cultura, esporte e capacitação profissional.
Alinhamento político e articulação suprapartidária
O encerramento da Tribuna Popular evidenciou rara convergência política. Vereadores de diferentes espectros — incluindo Thaislane Sabel, Rider Castro, Graça Melo, Adriano Stein e Silma Alves — aprovaram o projeto por unanimidade.
Para Delmah Pedra, a unanimidade não é coincidência: é resultado da articulação baseada em evidências, diálogo e demonstração prática do acolhimento. A política de prevenção às drogas transcende partidos: atinge todas as famílias e exige resposta coletiva.
O encerramento contou com apresentação musical dos acolhidos, reforçando que prevenção é processo contínuo de cidadania, não evento isolado.
“Esta noite mostrou que juntos somos mais fortes. Eu acredito nesta Casa, acredito no trabalho de cada vereador e vereadora. Vamos seguir lutando por políticas públicas estruturantes para que nossos jovens tenham oportunidades reais e para que nenhuma família precise enfrentar essa dor sozinha. Cada fala, cada dado apresentado, cada lágrima derramada aqui hoje nos fortalece na missão de cuidar das pessoas. Que esta noite seja um marco, não apenas no calendário, mas na história de Barreiras.”
A provocação final: propósito como antídoto
“Eu não acredito que a droga seja o problema. O problema é a pessoa sem objetivo de vida.” – Antônio Marcos
Para Delmah Pedra, a Tribuna Popular evidenciou que a dependência é sintoma de vazio existencial, resultado de abandono estrutural, fragilidade dos vínculos familiares e falta de oportunidades reais. O antídoto é construir propósito, esperança e condições concretas para viver plenamente.
Lei que não sai do papel não transforma realidades. Transformar realidades é o único objetivo que importa.
O processo de prevenção em Barreiras continua, com Delmah Pedra à frente, mostrando que cuidar de quem sofre é a mais nobre política pública.